Postagens

Mostrando postagens de abril, 2025

Palavras no Arame

Na escola Nelson Machado, em Cururupu, Maranhão, o lápis era meu rei. Eu escrevia poemas de quatro versos, rimas tortas que saíam da cabeça enquanto o ventilador da sala rangia — tipo “o rio corre sem parar / o sol queima o meu olhar / a vida passa devagar / e eu só quero imaginar”. Achava que era poesia de verdade, algo que o mundo ia ler um dia, mas os professores passavam batido, “cadê a lição de casa?”, e meus avós nem olhavam, ocupados com o fogão e o silêncio. Eu via Cavalo de Fogo na Sessão da Tarde, deitado no chão quente da sala, e depois corria pro caderno pra fazer “resumos”. Escrevia que a Sara era corajosa mas o cavalo era o herói de verdade, ou que o Gato Guerreiro do He-Man tinha mais alma que o castelo. Chamava de resumo, mas era como se eu quisesse explicar pras palavras por que aquelas histórias me salvavam da tarde vazia. Ninguém lia, o caderno ficava na gaveta, mas eu me sentia um crítico, um gênio que ninguém via. Tinha o diário, um caderno de arame meio amassado...

Como Traumas Moldam a Vida Adulta?

Você já parou pra pensar por que algumas coisas te tiram do eixo sem explicação? Um grito mais alto, um olhar de desaprovação ou até o silêncio de alguém que você ama — de repente, o peito aperta, e você não sabe se é raiva, medo ou só um eco de algo que nem lembra direito. Muita gente carrega na mochila da vida adulta pedaços de uma infância que não foi só brincadeira e algodão-doce. Traumas de criança não são só histórias de filme de terror psicológico — eles são reais, silenciosos e, muitas vezes, ditam o roteiro de quem a gente vira. Pra entender isso, imagine uma menina de baixa renda, vítima de estupro, que tenta gritar por ajuda, mas ninguém acredita nela — e, no desespero, começa a roubar só pra ser vista. Do ponto de vista psicológico, a infância é o alicerce de quem a gente se torna. Se ele racha, a estrutura inteira balança. Sigmund Freud já dizia que experiências reprimidas voltam como fantasmas — às vezes como neuroses, às vezes como um peso que você carrega sem saber po...