Louise Fernandes Caze
Louise era dessas pessoas que irritam de tão inteligentes. Sabe quando alguém parece saber de tudo, como se o mundo fosse um livro aberto que só ela conseguia ler? Era assim. Uma mente afiada, quase cortante, que às vezes me fazia rir de nervoso, porque como alguém podia ser tão absurdamente brilhante e ao mesmo tempo tão humana, tão quebrada quanto eu? Ela carregava um passado pesado, cheio de traumas, abusos e negligências — cicatrizes que eu reconhecia, porque também as tenho. Talvez por isso a gente se entendesse, mesmo sem precisar dizer muito. Ela tinha um jeito único de viver. Aproveitava o momento como se cada segundo fosse um presente que ela desembrulhava com calma, curtindo a própria companhia. Era elegante, não só no jeito de se portar ou de falar — e como ela falava bem! —, mas na forma como existia. A Louise se deixava inventar por quem cruzava o caminho dela. Eu fui uma dessas pessoas. Peguei pedacinhos dela, criei uma versão dela na minha cabeça, mas nunca cheguei perto...