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Mostrando postagens de março, 2025

Louise Fernandes Caze

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Louise era dessas pessoas que irritam de tão inteligentes. Sabe quando alguém parece saber de tudo, como se o mundo fosse um livro aberto que só ela conseguia ler? Era assim. Uma mente afiada, quase cortante, que às vezes me fazia rir de nervoso, porque como alguém podia ser tão absurdamente brilhante e ao mesmo tempo tão humana, tão quebrada quanto eu? Ela carregava um passado pesado, cheio de traumas, abusos e negligências — cicatrizes que eu reconhecia, porque também as tenho. Talvez por isso a gente se entendesse, mesmo sem precisar dizer muito. Ela tinha um jeito único de viver. Aproveitava o momento como se cada segundo fosse um presente que ela desembrulhava com calma, curtindo a própria companhia. Era elegante, não só no jeito de se portar ou de falar — e como ela falava bem! —, mas na forma como existia. A Louise se deixava inventar por quem cruzava o caminho dela. Eu fui uma dessas pessoas. Peguei pedacinhos dela, criei uma versão dela na minha cabeça, mas nunca cheguei perto...

A Curva Que Não Encaixa: A Proporção Divina e a Beleza do Imperfeito.

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  Voce já parou para pensar o porque de algumas coisas no mundo parecerem simplesmente... perfeitas? Tipo, o jeito que uma concha de caracol faz aquela espiral tão bonita, ou como as pétalas de uma flor se arrumam de um jeito que da vontade de ficar olhando para sempre? Ou ate aquele quadro famoso que você não explica, mas não consegue tirar os olhos? Trem um segredo por trás disso, e ele tem um nome chique: Proporção Divina. Mas relaxa, não é nada complicado. Na real, é só um numero: 1,618. Um numero meio estranho, sim, mas que ta em tudo que a gente acha harmonioso – da natureza à arte, passando por prédios antigos e ate pelo nosso próprio corpo. E o mais legal? Que me cativou nessa anomalia universal? Ele pode te ajudar a enxergar beleza nas coisa tortas da vida, bom, me ajudou ao menos.   O QUE É ESSA TAL PROPORÇÃO DIVINA? Não possuo nenhuma formação acadêmica ou anos de trabalho e pesquisa árdua (não), sou apenas um jovem cansado e morrendo de tédio que procura por ...

O Dia em Que Tentei Encontrar Meu Eu Superior (e Quase desisti no Caminho)

Eu não sei você, mas tem dias que eu acordo sentindo que sou uma bagunça ambulante. Tipo, um tanquinho de lavar roupas, aqueles velhos e surrados pelo tempo que sacode no processo de lavagem que você pensa que vai explodir. Meu nome é “Daniel”, tenho “27 anos”, e ultimamente minha vida parece um looping infinito de café frio, relações e interações complexas e uma vaga sensação de que eu deveria esta fazendo algo mais significativo de minha existência – tipo salvar o mundo descobrindo a solução da fome ou a cura do câncer ou aprendendo a fazer crochê. Foi ai que ouvi falar do “Eu Superior”. Não de um jeito místico com incenso e mantras (embora esteja cogitado a possibilidade), mas como uma versão de mim que não passa o dia inteiro se perguntando se tomou as decisões erradas na vida.   Então, decidi embarcar numa jornada, não uma literal, porque eu não tenho dinheiro pra viajar pra Índia ou sei la onde, mas uma interna – o que, para ser honesto, é bem mais assustador. Li sobre ...

A Verdadeira História do Quilombo Aliança.

Capítulo Zero: Onde o Rio Se Esconde Entre Cururupu e Mirinzal, no Maranhão, existe um lugar que o mapa não sabe direito como desenhar. O Quilombo Aliança é feito de manguezais, lama e um silêncio que às vezes soa como um grito abafado. São 732 pessoas, diz o Censo de 2022, mas não é assim que se mede um lugar como esse. Aqui, contam-se as vozes: o coaxar dos sapos à noite, o som do facão na mandioca, o tambor que ecoa como se chamasse alguém que já se foi. É onde o rio encontra a terra, ou talvez onde a terra corre atrás do rio, tentando não se perder. Ninguém sabe ao certo quando Aliança começou. Não há um marco cravado na pedra, nenhuma placa dizendo “foi aqui”. Mas as histórias dizem que foi no final do século XVIII, quando os escravizados fugiam das fazendas de algodão e açúcar do Maranhão. Eram pessoas arrancadas de Angola, do Congo, da Costa da Mina, levadas pra um lugar que não as queria inteiras — só as mãos, os corpos, o trabalho. Só que eles queriam mais. Atravessara...

"O Som que o Sapo Faz"

Uma história sobre Cururupu, contada por quem respira seus mangues Meu nome é Davi, tenho 12 anos, e eu sou de Cururupu, Maranhão, que, segundo minha vó, é o lugar onde o mundo começou a cantar — ou pelo menos onde os sapos aprenderam a fazer barulho. Não sei se acredito nisso, mas às vezes, quando deito na rede no quintal da nossa casa de barro e ouço o kururu-pu vindo dos manguezais, penso que ela pode estar certa. Aqui não tem shopping, cinema ou Wi-Fi decente, mas tem um tipo de magia que não explica em livro de escola. É o tipo de lugar que te abraça com cheiro de peixe frito e te pisa com lama até os joelhos, tudo ao mesmo tempo. E eu amo isso, mesmo quando odeio.   Capítulo 1: A Cidade que Coaxa Eu não sei quem inventou Cururupu, mas aposto que foi alguém que gostava de água e barulho. A gente fica no litoral ocidental do Maranhão, onde o mar briga com os rios e os mangues pra decidir quem manda mais. Minha professora, dona Socorro, diz que o nome vem do tupi, algo sobre o s...

A Probabilidade Infinita de Começar um Blog (e Outras Catástrofes Literárias)

E aí, gente. Daniel aqui, tentando entender a complexidade da existência, enquanto tropeço nos meus próprios pés e derrubo café na minha estante. Sabe, às vezes, a vida parece um livro do John Green: cheia de metáforas confusas, personagens com problemas existenciais e reviravoltas que te fazem questionar se você está vivendo a realidade ou um sonho febril.   Então, aqui estou eu, no limiar de uma nova aventura: criar um blog. Uma aventura que, para ser sincero, me deixa mais ansioso do que um personagem do John Green em um encontro às cegas. Mas, como diria Hazel Grace Lancaster, "ok, ok, ok". Vamos lá. A ideia é simples: um espaço para compartilhar minhas obsessões literárias, meus surtos de leitor compulsivo e, claro, minhas reflexões sobre a vida, o universo e tudo mais. Porque, afinal, quem nunca se sentiu como um asterisco em uma página em branco? Mas, como todo bom personagem do John Green, eu tenho meus dramas:  * A maldição do perfeccionismo: Cada palav...

A Maldição da Residência Hill - react

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  A Maldição da Residência Hill. :Uma resenha com fantasmas, lagrimas e portas que abrem sozinha e que rangem mais que joelho de avô. Imagina reformar uma casa antiga pra   vender e lucrar uma grana, mas, em vez de encontrar cupins, você descobre que o lugar esta cheio de fantasmas, traumas e uma entidade que quer te adotar pro resto da eternidade. É o pesadelo de qualquer corretor de imóveis – e o ponto de partida de A Maldição da Residensia Hill .   A serie segue a família Crain: Hugh e Olivia (os pais, vividos por Henry Thomas e Carla Gugino, que são uns fofos ate virarem crepy) e os cincos filhos – Steven, Shirley, Theo, Luke e Nell-, que passam um verão na tal casa Hill e saem de lá com mais bagagem emocional que passageiros voltando do carnaval em interior. Episodio 1: “Oi, casa nova, adeus sanidade” Tudo começa nos anos 90, com os Crain chegando na casa Hill como se fosse um episodio de Lar Doce Lar – só que os sonhos viram pesadelos rapidinho. Hugh é um pa...

HEREDITÁRIO - react

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HEREDITARIO. Uma resenha com sustos, ridas e uma família que redefine “PROBLEMAS DE CONVIVENCIAS”  Se você acha que sua família tem dramas pesados, tipo briga por quem comeu o ultimo pedaço de bolo ou que bebeu água e põe a jarra vazia de volta na geladeira, HEREDITARIO, dirigido por Ari Aster, vai te mostrar que poderia ser bem pior. Imagine uma reunião familiar onde, em vez de tia chata contando fofoca, você tem um,a avo morta que pode ou não estar possuindo todo mundo. É tipo CASOS DE FAMILIA, mas com demônios, decapitações e um climão que faz terapia parecer férias. A historia começa com Annie Graham (Toni Collette, entregando uma atuação tão intensa que merece um Oscar e um abraço), uma artista plástica que controis maquetes e acabou de perder a mãe. A vó, Ellen, era uma figura misteriosa, daquelas que você imagina guardando segredos tipo “onde ta o testamento” ou “por que tem um pentagrama no porão?”. A morte dela abre a porteira para uma serie de eventos que tran...

PLANO DE VOO - react

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Até onde você iria por quem ama? O que seria capaz de suportar para reencontrar um pedaço seu que foi tirado? Que foi roubado a mais de trezentos metros de altura? Como não se deixar enlouquecer em um cenário   que é tão mais fácil e mais simples, mas lógico, se ver e perceber enquanto uma pessoa com algum transtorno mental? ATE ONDE IRIA PARA DEFENDER SUA VERDADE? Esse filme com toda certeza me atingiu muito forte, e me fez questionar e querer entender muitas coisas no âmbito sentimental. Nunca foi fácil para mim, em específico, amar alguém, amar incondicionalmente, não entendia como uma mãe era capaz de amar um filho a ponto de priorizar a felicidade e o   bem estar dele acima do seu, não entendia. No declínio de minha vida fui tendo respostas para pensamentos e questionamentos como esse,   assistir a esse filme foi uma contribuição involuntária para concluir e acertar, realinhar essas questões ate então, sem respostas.   Plano de VOO ~Um vôo que você nunca...

THE GOOD PLACE - react

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                 THE GOOD PLACE Uma serie boa, com uma pegada de humor sarcástico e acido numa medida perfeita, os personagens são cativantes e singulares em suas próprias esquisitice, uma historia viciante do inicio ao fim, com uma perspectiva clara e congruente da evolução interpessoal  de cada personagem que nos é apresentado nessa historia, essa serie retrata de uma forma não convencional o estereótipos CÉU e INFERNo, o conceito abstrato de recompensação do PÓS MORTE e de contra partida leva seus espectadores a questionar tanto suas ações e pensamentos em vida, quanto ao seu placar num contador universal que contabiliza seus pontos e que é a chave para o suposto CÉU. Quanta baboseira hahaha. THE GOOD PLACE nos apresenta quatro personagens principais, Eleonor Shellstrop, de longe o personagem mais arrogante e pretensioso que temos, e com uma evolução em seus ...